quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A tarada do ônibus

Feriado pode ter vários significado. Para algumas pessoas é ir à praia, para outras, coma alcoólico, ou ainda participar de um encontro carismático, mas para mim significa ir pra casa dos meus pais, comer comida gostosa e brincar até cansar com o Kauan, o que significa que tenho que viajar de ônibus, o que significa cinetose em cena. Existem muitas coisas que me irritam, andar de ônibus está em 2° lugar no meu ranking. É torturante, passar horas sentada, com o ar condicionado sufocando e aqueles movimentos que os olhos veem e os ouvidos não ouvem. A única coisa capaz de fazer essa angustia diminuir são as pessoas. Nada me fascina mais do que olhar no rosto de alguém, observar seus movimentos, suas expressões e inventar historias sobre sua vida. Esse ano tenho viajado tanto de ônibus que minhas idéias estão acabando, até porque as pessoas são sempre parecidas: a vovó indo visitar os netos, o carinha com o rap no celular, o casal de namorados, a mãe e o neném que chora e faz birra porque quer mamar, o chato que não para de falar um segundo, o estudante de óculos com seus livros, a gostosona ou o gatinho, o moço que descobriu como fazer ligações e fica o tempo todo ligando e falando ‘ham? Não entendi’, e a pessoa que passa mal, encara as pessoas, imagina coisas sobre elas, e sempre torce para sentar ao lado do gatinho (o que nunca acontece). Hoje eu cheguei de volta do feriado de 7 de setembro. No caminho de Marquinho até Laranjeiras o ônibus lotou e um velinho ficou de pé, minha imaginação logo entrou em ação: Quando jovem era maltratado pelo pai e via sua mãe apanhar constantemente. Encontrou o amor da sua vida e casou-se com ela, mas pelo casaco e calça pretos vi que a havia perdido recentemente depois de 54 anos felizes juntos. Tiveram cinco filhos, um deles morreu quando criança. Os dois netos são sua alegria de viver. Acabara de descobrir que sofre de trombose e vai morrer dentro de três meses. Triste, eu sei, tanto que me comovi e resolvi ofertar o meu banco a ele. Com um sorrisão no rosto fiz um gesto com a mão e o chamei, ele me encarou e virou a cara. Fiz uma segunda tentativa, fui ignorada de novo. Na terceira vez, ele que estava de frente pra mim, virou-se para o outro lado. Desisti. Fiquei me perguntando o que ele tinha pensado, a melhor resposta foi: ‘Aquele menina com cabelo no olho ta querendo que eu sente no colo dela! Tarada! Mal educada, não respeita um senhor de idade como eu.’’ Eu ri, ele viajou 45 Km de pé. Na rodoviária nos encontramos, ele me deu uma olhada tímida por debaixo da aba do chapéu, desviou o olhar rapidamente e ficou corado. Eu ri de novo. Nunca mais oferto banco pra ninguém. Acho que não nasci pra fazer boas ações.

2 comentários:

  1. mareee se atipeee muee dhaudhaud coitado do veio kkkk que se lasque tbm rsrs

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  2. HUhauhauhauhauhauhauha!
    Como que algumas pessoas conseguem ler sem vomitar né? Eu observo só cinco minutos, depois durmo pra sempre.
    =*

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Fala, eu aguento!