sábado, 11 de setembro de 2010

Causas

Em meio a uma conversa dessas de falta de assunto, resolvo expor meus sentimentos

- Gente muito magra me dá dor
- Dor? Que dor?
- Dor no estômago.
(risos)
- Porque?
- Fico com fome.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A tarada do ônibus

Feriado pode ter vários significado. Para algumas pessoas é ir à praia, para outras, coma alcoólico, ou ainda participar de um encontro carismático, mas para mim significa ir pra casa dos meus pais, comer comida gostosa e brincar até cansar com o Kauan, o que significa que tenho que viajar de ônibus, o que significa cinetose em cena. Existem muitas coisas que me irritam, andar de ônibus está em 2° lugar no meu ranking. É torturante, passar horas sentada, com o ar condicionado sufocando e aqueles movimentos que os olhos veem e os ouvidos não ouvem. A única coisa capaz de fazer essa angustia diminuir são as pessoas. Nada me fascina mais do que olhar no rosto de alguém, observar seus movimentos, suas expressões e inventar historias sobre sua vida. Esse ano tenho viajado tanto de ônibus que minhas idéias estão acabando, até porque as pessoas são sempre parecidas: a vovó indo visitar os netos, o carinha com o rap no celular, o casal de namorados, a mãe e o neném que chora e faz birra porque quer mamar, o chato que não para de falar um segundo, o estudante de óculos com seus livros, a gostosona ou o gatinho, o moço que descobriu como fazer ligações e fica o tempo todo ligando e falando ‘ham? Não entendi’, e a pessoa que passa mal, encara as pessoas, imagina coisas sobre elas, e sempre torce para sentar ao lado do gatinho (o que nunca acontece). Hoje eu cheguei de volta do feriado de 7 de setembro. No caminho de Marquinho até Laranjeiras o ônibus lotou e um velinho ficou de pé, minha imaginação logo entrou em ação: Quando jovem era maltratado pelo pai e via sua mãe apanhar constantemente. Encontrou o amor da sua vida e casou-se com ela, mas pelo casaco e calça pretos vi que a havia perdido recentemente depois de 54 anos felizes juntos. Tiveram cinco filhos, um deles morreu quando criança. Os dois netos são sua alegria de viver. Acabara de descobrir que sofre de trombose e vai morrer dentro de três meses. Triste, eu sei, tanto que me comovi e resolvi ofertar o meu banco a ele. Com um sorrisão no rosto fiz um gesto com a mão e o chamei, ele me encarou e virou a cara. Fiz uma segunda tentativa, fui ignorada de novo. Na terceira vez, ele que estava de frente pra mim, virou-se para o outro lado. Desisti. Fiquei me perguntando o que ele tinha pensado, a melhor resposta foi: ‘Aquele menina com cabelo no olho ta querendo que eu sente no colo dela! Tarada! Mal educada, não respeita um senhor de idade como eu.’’ Eu ri, ele viajou 45 Km de pé. Na rodoviária nos encontramos, ele me deu uma olhada tímida por debaixo da aba do chapéu, desviou o olhar rapidamente e ficou corado. Eu ri de novo. Nunca mais oferto banco pra ninguém. Acho que não nasci pra fazer boas ações.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O time do meu tio, o time do meu irmão e o meu time

Minha paixão pelo futebol nasceu no dia 10 de outubro de 1992 por volta das 04:30 da manhã. Até os quatro anos de idade, eu torcia pelo XXXXXXXXX. Sim! Eu já torci por outro time e hoje me sinto envergonhada por isso, mas eu era apenas uma criança ingênua, que não sabia de nada e que acreditava em tudo que meu irmão mais velho dizia. Com o passar do tempo, comecei a entender melhor as coisas e via que o time do meu tio sempre ganhava e o do meu irmão sempre perdia. Vi que quando o time do meu tio ganhava, fogos e carreatas aconteciam, quando o do meu irmão ganhava, só via ele comentando. Nas ruas, eram muitos os que usavam a camiseta do time do meu tio, quanto ao do meu irmão só via ele e eu (sim, eu tinha a camiseta do XXXXXXXXX e vestia!). Então percebi que eu estava na torcida errada, que aquele time não era bom quanto ao do meu tio. Bastou uma conversa e ganhei uma camiseta do time do meu tio. Assistia aos jogos na casa do meu tio, confesso que me importava mais com os quitutes da minha tia do que em assistir, mas sempre comemorava na vitória e ficava triste na derrota pra agradar o tio. O tempo foi passando, continuei vendo os jogos, discutindo com os adversários, chorando, comemorando, orgulhosa sempre, mas sem dar muita importancia porque minhas amigas diziam que futebol era coisa de menino. Com meu interesse adormecido, no dia 2 de dezembro de 2007, meu time que já estava em crise, foi rebaixado para a série B. Pronto, meu mundo caia! Mas segui fiel, ignorando as zoações, assisti a todas as partidas durante todo o ano, inclusive a final da Copa do Brasil ao lado do meu irmão. Meu time perdeu e eu entrei em desespero, enquanto eu chorava meu irmão ria da minha cara, jamais esquecerei disso. Mas foi esse ano tão dificil, que me fez chorar e aguentar tantas zoações, que acordou de novo meu interesse incrível pelo futebol e pelo meu time. Depois disso, meu amor só foi aumentando, as discussões com rivais também! Porém, com isso eu lido muito bem, eles sempre me vem com o mesmo assunto: a falta de estádio e libertadores. É tão monótono que já tenho todos os argumentos e respostas na ponta da lingua. São incontáveis minhas 'inimizades' geradas pelo futebol, o que não dou a menor importancia, porque são eles que me fazem ter mais paixão pelo meu time. Meu maior inimigo, futebolisticamente falando, com toda a certeza é o meu irmão, sim, aquele mesmo que me influenciou a torcer para o time dele, que me deu uma camiseta verde de listras brancas do número 09 com uma estampa da PARMALAT na frente, que tem um prazer gigante por torcer pelo seu time e um prazer maior ainda em me perturbar (toda vez que algo sai errado com o meu time ele me liga, mesmo sendo de madrugada, rindo muito). E meu maior ídolo, com certeza é o meu tio, que me tirou da escuridão e me deu uma camiseta preta e branca do número 10 com a estampa da SUVINIL na frente, que chora nas derrotas e vibra nas vitórias do nosso time. Agora, meu time é minha religião, e eu tenho muito orgulho de fazer parte da sua história, por ser mais uma louca nesse bando de loucos, e de torcer para o time do meu tio. Hoje, dia 01 de setembro de 2010 o time do meu tio (e meu) completa 100 anos, e eu só tenho que agradece-lo por me ensinar o que é um time de verdade, uma torcida de verdade, o que é ser um torcedor do Corinthians. Quanto ao time do meu irmão, bom, esse é um pedaço da minha historia que eu esqueci, assim como o seu nome.