O Brasil será a sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014.
Um evento grandioso como esse precisa de uma estrutura proporcional ao seu tamanho, tanto que a FIFA exige que o país ofereça uma infra-estrutura capaz de suportar e atender com qualidade a demanda de turistas e, principalmente, ter uma estrutura esportiva de qualidade. Isso significa que o país será beneficiado. Alem do estimulo ao turismo, haverá investimentos em restaurações e construções de obras, não somente no setor esportivo, como também no setor hoteleiro, nos aeroportos e rodovias, no transporte público, na energia, saúde e segurança etc. que beneficiarão o país mesmo após o término do evento. Todo esse investimento também significa geração de empregos e uma série de outros benefícios indiretos.
Segundo o site de notícias G1, será necessário o investimento de quase R$ 80 bilhões para a realização de todas as obras. Isso, se não seguir o modelo do Pan Americano de 2007 que ficou nove vezes mais caro do que o planejado. Então, a pergunta é: Será que o Brasil está preparado financeiramente para abrigar tamanho evento?
Que o Brasil passa por graves problemas e não tem dinheiro sobrando todos os brasileiros estão cansados de saber. Há crises em várias esferas: Desmatamento desenfreado na Amazônia, polícia e forças armadas mal-equipadas, saúde pública sucateada, professores sem formação ou remuneração adequada que resulta numa educação com pouca qualidade, previdência falida, falta de moradia e pouco apoio à população carente. Como se vê, não são apenas os estádios ou os aeroportos que precisam de uma reforma, há aplicações melhores e mais benéficas para a população a serem feitas no país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país está preparado para investir e sediar a Copa do Mundo de 2014 "Temos condição de fazer a Copa e queremos mais, queremos as Olimpíadas de 2016. [...] Por que o Brasil não teria condições de fazer uma Copa do Mundo em 2014, quando somos a oitava economia mundial e um país industrialmente importante? '' disse em uma entrevista à Rádio Globo, e também falou que a população é o principal foco de seu governo dizendo que o Estado gasta o que for necessário para facilitar a vida da população antes, durante e depois da Copa.
Ele deveria estar falando das bolsas e programas assistencialistas que distribui por aí e, que até onde se vê, não funciona como uma solução para o fim da miséria, da fome ou da falta de emprego. Somando a esse 'assistencialismo lulista', o carnaval e o futebol, está formada a política brasileira igual à política do 'Pão e Circo' da Roma Antiga, que por sinal falhou. Resta saber se com o Brasil funcionará.
Enfim, tudo aponta que a economia será beneficiada com a entrada de turistas no país, se os gastos com infra-estrutura não saírem do controle. Mas também, é preciso pensar naqueles que não estão preocupados no gramado do estádio de futebol porque estão ocupados procurando emprego, tentando dar uma educação de qualidade a seus filhos, pedindo esmolas, dando um jeito de comprar comida, e sonhando em um dia sair da miséria. É importante lembrar que o Brasil tem uma população, não é feito apenas de futebol.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Sobre pais
Me lembro que algum tempo atras, era freqüente minhas discussões com minha mãe e tudo que eu queria era morar sozinha, ter minha própria vida, ninguém pra me controlar. Liberdade! O que consegui. E confesso que as vezes preferia estar la em casa, com meu pai controlando meus horários e minha mãe me disciplinando. Porque aqui fora não é tudo como eu pensei, ou queria, que fosse.
Sinto falta de tanta coisa que eu tinha ao alcance e agora não tenho mais, acima de tudo o carinho do Kauan, o apoio da minha mãe e o abraço do meu pai. Hoje é dia do pais, e eu não pude dar o abraço mais apertado de todos nele. Apenas liguei, gritei um feliz dia dos pais que, meio sem jeito, ele agradeceu e logo passou o telefone pra mãe. Disse oi, reclamei da faculdade, e ri com o Kauan. De volta ao pai, falei poucas coisas (talvez nunca ditas) com um nó na garganta, desliguei e desabei chorar. Não sei se por saudade ou por culpa. Confesso que minha relação com eles nunca foi das mais afetivas. Sempre fui meio independente e não gostava das frescuras de pais e filhos. Contava só o necessário à minha mãe e quase nunca tocava nos 'assuntos de meninas.' Meu pai não se preocupava muito comigo, só com meus namoradinhos. Eles nunca me entenderam realmente, nunca entenderam o que eu achava importante ou o que eu queria, não falo isso pelo clichê da adolescência, falo porque é verdade. Para algumas pessoas a presença da mãe nas reuniões da escola pode ser um pesadelo, não pra mim, adoraria que minha mãe participasse delas, o que nunca acontecia e eu entendia que o trabalho dela era o principal. '- Eu sei que você é uma boa aluna e se eu não trabalhar, você não vai ter o que comer.' Todo bimestre era a mesma frase, tanto que eu acostumei, porém sempre entregava os bilhetinhos com um pouco de esperança. Meu pai não ia, dizia que era coisa de mulher. Eu concordava. Ele não servia pra essas coisas, servia pra passear de carro ou bicicleta, pescar, contar historias, me defender, me alertar do quão inconfiáveis são os homens, me dar dinheiro, me salvar das palmadas da minha mãe, ou pra me dar algumas.
Meus pais nunca foram os mais presentes ou os mais atenciosos, aliás, são cheio de defeitos e eu realmente odiava isso. Hoje, vejo que sou a imagem deles refletida no espelho. Todo o orgulho, mau humor , arrogância e auto-suficiência da minha mãe, eu tenho, assim como sua diplomacia, inteligencia e sentimentalismo. Toda paciência, tolerancia e generosidade do meu pai, eu também tenho, assim como sua preocupação demasiada, indecisão, pouca fé e desinteresse. E eu não me odeio por isso.
Então, quando comecei ouvir pessoas contando que nem sequer conheceram seus pais, comecei a pensar em toda a minha vida e agradecer por sempre te-los do meu lado, mesmo não sendo perfeitos como nas novelas da Globo. Até porque, perfeição só existe, realmente, em historias inventadas. E de todo meu coração, espero que eles continuem sendo assim, porque é desse jeito que eu os amo e não me imagino vivendo sem.
Sinto falta de tanta coisa que eu tinha ao alcance e agora não tenho mais, acima de tudo o carinho do Kauan, o apoio da minha mãe e o abraço do meu pai. Hoje é dia do pais, e eu não pude dar o abraço mais apertado de todos nele. Apenas liguei, gritei um feliz dia dos pais que, meio sem jeito, ele agradeceu e logo passou o telefone pra mãe. Disse oi, reclamei da faculdade, e ri com o Kauan. De volta ao pai, falei poucas coisas (talvez nunca ditas) com um nó na garganta, desliguei e desabei chorar. Não sei se por saudade ou por culpa. Confesso que minha relação com eles nunca foi das mais afetivas. Sempre fui meio independente e não gostava das frescuras de pais e filhos. Contava só o necessário à minha mãe e quase nunca tocava nos 'assuntos de meninas.' Meu pai não se preocupava muito comigo, só com meus namoradinhos. Eles nunca me entenderam realmente, nunca entenderam o que eu achava importante ou o que eu queria, não falo isso pelo clichê da adolescência, falo porque é verdade. Para algumas pessoas a presença da mãe nas reuniões da escola pode ser um pesadelo, não pra mim, adoraria que minha mãe participasse delas, o que nunca acontecia e eu entendia que o trabalho dela era o principal. '- Eu sei que você é uma boa aluna e se eu não trabalhar, você não vai ter o que comer.' Todo bimestre era a mesma frase, tanto que eu acostumei, porém sempre entregava os bilhetinhos com um pouco de esperança. Meu pai não ia, dizia que era coisa de mulher. Eu concordava. Ele não servia pra essas coisas, servia pra passear de carro ou bicicleta, pescar, contar historias, me defender, me alertar do quão inconfiáveis são os homens, me dar dinheiro, me salvar das palmadas da minha mãe, ou pra me dar algumas.
Meus pais nunca foram os mais presentes ou os mais atenciosos, aliás, são cheio de defeitos e eu realmente odiava isso. Hoje, vejo que sou a imagem deles refletida no espelho. Todo o orgulho, mau humor , arrogância e auto-suficiência da minha mãe, eu tenho, assim como sua diplomacia, inteligencia e sentimentalismo. Toda paciência, tolerancia e generosidade do meu pai, eu também tenho, assim como sua preocupação demasiada, indecisão, pouca fé e desinteresse. E eu não me odeio por isso.
Então, quando comecei ouvir pessoas contando que nem sequer conheceram seus pais, comecei a pensar em toda a minha vida e agradecer por sempre te-los do meu lado, mesmo não sendo perfeitos como nas novelas da Globo. Até porque, perfeição só existe, realmente, em historias inventadas. E de todo meu coração, espero que eles continuem sendo assim, porque é desse jeito que eu os amo e não me imagino vivendo sem.
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